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sábado, 11 de dezembro de 2010


"Porque é intenso e transborda.

Ei, você que passa por esse caminho, leve um recado meu pra uma moça de lá. Quando a vir saberá no mesmo instante sobre quem lhe falo, é a flor mais brilhante que haverá na estrada. Ela respira girassol e coragem, ela perfuma todo aquele chão de terra e de casinhas de sapê. Você que me ouve, lembre-se de mim quando chegar lá, e quando encontrá-la andando com urgência - com aquele seu ar de ocupada demais - respire forte para chamar sua atenção (ela sempre está atenta), e quando ela levantar os olhos desconfiados pra depois desviar, dê altura suficiente a tua voz e diga a ela que as estrelas, enfim, resolveram sorrir em sua direção. Diga que as flores de plástico do jardim morreram mesmo e aquilo que ela vê agora são flores de verdade, desabrocham, mas não morrem. Diz a ela que o cenário de madeira-papel-e-cola deu lugar a uma paisagem-colorida-e-linda, e que os desertos agora são campos de orquídeas e de margaridinhas brancas. Diz que o último soluço do choro de ontem foi mesmo o estímulo do primeiro riso eterno, que a Felicidade resolveu lhe dar boas-vindas de manhã até que se acabem todas as manhãs de sua vida, e que todos os dias a própria felicidade sente saudades dela. Diz pra ela que as lagartas já não usam asinhas de arames com papel celofane pra contracenar bons momentos e que aqueles encantos sobrevoando ao seu redor são borboletas de verdade, acabaram-se os móbiles. Diz que a água agora é límpida sim, e que todo o esforço valeu a pena, que tudo ficou bem. Diz pra essa flor que o que ela ta vendo agora é realidade.
Diz pra ela que o Amor chegou, enfim."



Yasha

http://l-a-b-i-r-i-n-t-o.blogspot.com/

sábado, 25 de julho de 2009


"[...] E quando você me deixasse existir na sua vida, eu te mostraria meus arco-íris, até os cinzentos e os invisíveis, em todas as suas nuances de transparências, mas eu te ensinaria a lhes sentir pelo tato, para que você pudesse reconhecer minhas ausências e saber quando eu realmente não estou e quando eu apenas me escondo no ambiente para fugir - de mim, muitas vezes, que não tenho muito jeito nem com os outros e nem comigo.

[...] Queria então chegar como um vento morno e sem estardalhaço me misturar à tua atmosfera, e ficar ali esperando que me respirasses, e no teu corpo me misturaria às tuas células, e um dia, sem sequer notar, eu já faria parte de ti. Sei que na verdade às vezes me aproximo como tempestade, e arranco telhados, quebro vidraças, inundo tuas plantações, sei bem. Mas é por isso que te peço aqui - se eu chegasse mansa, você acolheria minhas impossibilidades?

[...] Vem. Te aceito em mim. Seja-me um pouco, experimenta o mundo com meus olhos e te mostro a poesia que enxergo.

[...] Me deixa provar teu mundo e ele então fará parte do meu. Tua experiência comporá meu repertório - escuta, já somos tantas melodias, em cantar, encantamo-nos. Casa tua alma com a minha e leva teu corpo por onde quiser. Sejamos sempre dois que se misturam, mas não se invadem - penetrações consentidas. Entra em mim, bem-vindo, e me receba, e assim sejamos muito e mais, por sermos ainda e sempre dois - o que te ofereço é soma, e não fusão.

Vem?"


Yasha

quarta-feira, 22 de julho de 2009


"Quando tudo faz lembrar, quando a dor aperta,
eu ainda sorrio, mesmo que às vezes só com a casca,
na frente dos outros,
sem conseguir tirar a sua parte de dentro,
guardada..."

Yasha