Mostrando postagens com marcador Jaya Magalhães. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jaya Magalhães. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de março de 2012


"Afoguei minha intensidade em seus braços e permiti, repetindo muitas vezes, que ele poderia ultrapassar. Que toda aquela pinta de imensidão dava acesso ao que era muito raso. Ele poderia ultrapassar, poderia ler minhas histórias, poderia zombar da minha cara de quem acredita em romances, poderia me deixar seriamente emocionada. Ele poderia ousar, montar suas putarias em meu pescoço e me fazer desamarrar todas as letras desordenadas que nunca foram ditas a ninguém. Que ele viesse. Que eu fosse..."



Jaya Magalhães




segunda-feira, 13 de setembro de 2010


"Teu sorriso ecoa minhas horas.
E dessa noite, farei um cobertor de sonhos.
Trilha sonora de você..."


Jaya

http://liricass.blogspot.com/

segunda-feira, 6 de setembro de 2010


"Eu quero me aninhar no teu peito, baby. Quero que você me conte bobagenzinhas enquanto escuto tua respiração. Quero sentir teu coração bater, ouvir tua risada, segurar tua mão por mais tempo, te entregar mais que dois sorrisos. Mais que um ruído. Eu quero espalhar beijinhos no teu rosto e passear, confusa, em você.

Quero te ligar no meio da noite e ficar em silêncio até conseguir dormir outra vez. Quero que você me abrace. Que você sempre me abrace. Que caminhe ao meu lado segurando no bolso de trás das minhas calças. Quero saber a frequência com que pisca os olhos e decorar o que te faz franzir o nariz.

Quero papos desconexos, propostas decentes e outras tantas avessas. Quero entrar no primeiro ônibus disponível e passar um dia inteiro num lugar onde sejamos estranhos. Quero te puxar pelos braços e que você recue para me pirraçar enquanto vai pintando poesia nos dentes. Quero que teu cruzar de pernas me inspire um texto e que você faça um carinho bom em minha nuca, me abraçando por trás enquanto me observa sentada ao computador.

Quero que você me veja chorando ao cortar cebolas e sempre cante a música de Caetano, só para me ouvir te chamar de previsível e debocharmos juntos das mesmices que são só nossas. Quero que não me diga que sou ciumenta e não se importe com minhas melancolias mensais.

Quero que a vodka tempere nossas brigas bobas, e que deitemos exaustos no colchão ali, no chão da sala, enquanto a vida corre do lado de fora da casa. Quero ver você dar risada da minha cara ao desistir de calcular o troco e não se importe em ir ao cinema nos horários mais improváveis.

Quero que você se arrisque na cozinha só para me ouvir reclamar depois. Quero nossos beijos cítricos e tua língua tingida com o vermelho do que vai sempre arder em nós. Quero aquelas noites com a luz fraca, tua arte exata e minha busca imperfeita.

Quero que você aumente o som quando começar a tocar uma música que eu goste. Quero te telefonar ao me deparar com algo que se pareça contigo. Quero te ver fechar o jeans, te puxar de volta para a cama, te fazer vacilar, burlar resistências.

Quero pizza gelada enquanto te mostro meus filmes preferidos. Quero te fotografar até você arrancar a câmera das minhas mãos e fazer o mesmo comigo. Quero me rasgar aos pouquinhos para você, só para você. Quero que folheie um caderno meu e reclame porque não escrevo na linha. Porque não escrevo.

Quero entender quando dói e fazer parar de doer. Quero te adivinhar com meus lábios. Quero te projetar: você-filme. Quero espernear. Quero que você bagunce o quarto e te olharolharolhar com minhas pálpebras egoístas que te guardam só para mim. Quero todo esse medo de abri-las para não te deixar escapulir. Quero te achar ridículo enquanto escuto você cantar ao chuveiro. Quero colo.

Quero que você entenda minha euforia após o teatro. Que não se espante com minha sensibilidade. Que não sofra com minha insensibilidade. Que não soframos tanto, apesar das crises, raivinhas, impaciência e muita falta de sentido.

Quero você na minha parede verde. Quero pintar nossa parede. Te borrar a roupa. Tomar banho na chuva, rolar na areia da praia. Quero decifrar tua chegada pela maneira como toca o interfone. Te cantar músicas bregas, caminhar pela praça.

Não quero nada. Só preciso inventar uma palavra. Algo que te explique. E olhar para você mais um pouco, assim, sem querer.

É uma ideia."



Jaya Magalhães

quarta-feira, 16 de junho de 2010


''Eu declaro ser boba, moço. E ingênua. Forte, apesar da pose de quem se desmonta fácil. Apaixonada, talvez. Ridícula. Medrosa. Procrastinadora de atos urgentes, e também dos desimportantes. Sou uma saudade, e um banco de praça coberto por folhas secas de um outono que não é meu. Não tenho paciência para conversas tristes. Posar de vítima soa deprimente. E não entendo como meu rosto se desmancha numa seriedade obtusa assim, de repente, gerando interrogações de quem me cerca. Eles não entendem. Sabe, moço, não é todo dia que eu quero sorrir, não. E pensar que já houve uma época onde isso era o meu melhor, era o que fazia as pessoas pedirem por mim. Hoje não tem ninguém. A distância é algo estúpido, moço. Não falo nem de geografia, aqui. Falo de interposições criadas por conveniências minhas. Eu sou ostra, viu? E não sei permitir que no meu lado de dentro venha morar qualquer coisa que não seja pérola. Nem é pretensão, não. Pode ser comodismo. É que eu me acostumei a ter as melhores pessoas do mundo como parte de mim, e isso era o suficiente. Eu não dava importância para o novo, o desconhecido. Não sei se você entende, moço, mas dá um trabalho danado se reconhecer nos outros, querer pra si, driblar os defeitos, contar dos seus, todas essas coisas que surgem em primeiras relações. Eu queria que já viesse tudo pronto, moço. Queria. Aí eu era completa, então.

Declaro, também, que esse era é algo que nunca foi. É que eu sou sozinha, em qualquer canto. Sei lá, eu acho graça, você não? Sou dona de um sarcasmo estonteante, digo. As pessoas às vezes acham que estão acompanhadas no mundo, e se apegam a isso de uma maneira que me assusta. É que, moço, todo mundo vai embora um dia. Vai porque quer, vai porque Deus chama - não importa. E eu sempre tive muito medo disso, mas quase não penso. Outro dia mesmo eu quis casar, ter filhos, e ver como a vida ia. Hoje eu não quero mais. Amanhã, vou querer tudo de novo. E pra sempre. Odeio querer as coisas pra sempre, moço, você não? Tudo é tão efêmero por aqui. Tem horas que eu fico lembrando do que eu nunca soube. Você deve estar se perguntando se eu sou feliz, não é? Eu digo que não sei. Digo que sou. Num descuido ou em outro, acabo sendo. Ah, eu sou incoerente, também. Semana passada contei por aí que eu sou uma fraude. Sou tanta coisa, moço. E nada. Essa história de não poder olhar pro lado e encontrar uma gargalhada cúmplice, já não tem graça. E os fins de semana, moço, passam lentos como se fossem um filme ruim demorando pra terminar. Não pensa que eu tô só reclamando, não. É que hoje não entreguei sorriso, sabe? E agora que ele se mostra, vai despejando tudo o que esse céu nublado diz. Sou uma nuvem de chuva, agora.
Declaro ainda, moço, que eu tenho sonhos. Eles escorrem em mim inteira. Mas acontece que sou uma insônia, e os dias viram duas noites. Tá faltando cor. Cinza é cor, moço? Acho bom eu ir embora, antes que tudo chova. Prometo novos sonhos. Um resgate dos que se perderam. Toma moço, esse sorriso. Coloca ele de enfeite no teu carrinho azul. Lembra que você foi responsável por mim, hoje, nesse entardecer. Lembra, moço, que meu sorrir é quem fala, porque eu não sei lidar com palavras, não.

Declaro por fim, moço, que eu vou ser feliz. Criança...


E fui.''