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sábado, 19 de março de 2011


"Há de querer ser leve, assoprada, bailarina. Dente-de-leão dançando no vento, voando sem pressa e sem saber aonde vai — e aonde quer — chegar. Frágil menina forte, que disfarça a fragilidade e os medos infantis nos risos de mulher suficiente, competente e dependente, escondendo por detrás dos passos firmes a carência, as paixões e as necessidades, que vão além de um copo d’água e de comida freqüente. Tem-se sede de amor, de carinho tempo inteiro, de toque e mais toque e um pouco mais de toque, só para não faltar. Necessário ser presente, fazer-se presente e doar-se presente, desejá-la com leveza e segurá-la como se pudesse quebrar. E pode. É moça de porcelana, de vidro por vezes, tamanha capacidade que tem de deixar transparecer, por mais que sempre e sempre e todavida tente disfarçar. Leitura fácil e singela, basta penetrar o olhar e fazer coceiras na alma. Tudo se revela num desviar de olhar, que enrubesce e que cala falando mais do que poderia — e deveria — contar. E se permite, e deixa ser levada e envolta e segura, e desfalece em braços que sabem o que querem, em corpos que dizem mais do que a boca, em beijos que revelam segredos e em danças sem músicas, ritmadas alternadas, num desfecho digno de star. E chove purpurina e o céu se torna particular e dela, todo dela, pronto para lhe levar e assoprar e permitir que seja, que voe, que chova. Que vá parar nalgum lugar. E vai, fugindo, sentindo, amando, sendo toda-toda e pedindo pra ficar..."


Maria Fernanda Probst


http://bonequinhadeseda.blogspot.com/

sábado, 10 de julho de 2010


"Lembrei de você insistente e levei um susto grande ao deparar com teu rosto na minha mente. Havia muito tempo que não me dava conta de ti, que teu nome não enchia de chuva meus olhos castanhos e a saudade não queimava dentro do peito. Hoje faz frio, então não ardeu tanto. Deixei que o ar gelado mordiscasse minhas bochechas, corando-as, e congelasse as poucas lágrimas que teimavam cair, em vão. Não deu tempo. O vento era brisa certa, sempre contra minha direção, não importando qual direção eu tomasse. Um sopro frio, pra espantar a chuva que há muito não vinha. E eu te peço, por favor, me deixe chover! Me soa tão natural, tão calmante. Uma tempestade mansa em meu rosto e todo o riso de volta. É que a saudade é demais cá dentro e quanto maior a pressão do peito, maior a vontade de transbordar. Necessário. Coisa pouca, meu bem. Gotas de orvalho. E passa."



Maria Fernanda


http://bonequinhadeseda.blogspot.com/