sexta-feira, 4 de dezembro de 2009


"Procura mais de si mesma pra não se perder do pouco que restou . Pra não endurecer. Pra não admitir que tudo foi engano. Pra não desacreditar. Pra não deixar morrer dentro dela o que sempre lhe foi verdadeiro. Pra aceitar suas limitações. Pra reconhecer que não é tão nobre assim, que, por vezes, abandona suas flores e é só tempestades (procura seu sol, só encontra trovões... )Pra parar de querer ser senhora da situação. Pra entender que o coração erra também e que os sentimentos traem (certezas se dissolvem na covardia daqueles que não sabem olhar mais fundo). Pra não insistir em perguntas. Pra não buscar desculpas. Pra encarar as respostas não dadas (suadas-não ditas-sentidas). Sangrar constatações, isso dói. Abandonar suas crenças, dói ainda mais ... Não há como se encontrar quando se perdem convicções.As horas andam e as fendas são tantas... Atenções desperdiçadas, história interrompida, já não há mais como voltar. Frestas apenas, nenhuma porta aberta, segredo algum pra guardar ... Sobram falhas, restam medos, e o tempo vai tecendo vazios, e só..."

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009



saiu com aquele olhar.
nem mágico nem bonito.
era calmo, talvez.
vestiu a melhor versão de si mesma e foi.
desejou inutilmente não-estar. e estava.
corpo e mente completamente separados,
reencontrou pessoas. manteve distância do novo.
fingia lindamente que a sua vida era normal.
não se despediu e foi embora em absoluto silêncio.

eleanor rigby a entenderia.



Diana Valentina

http://aoptimista.blogspot.com/

sexta-feira, 20 de novembro de 2009


Ela era branca, branca.
Dessa brancura que não se usa mais.
Mas sua alma era furta-cor.

Mário Quintana

quinta-feira, 15 de outubro de 2009



"Conjugando os teus infinitos verbos encontrei a minha mais doce palavra.
E num dia em que a brisa batia leve e tranqüila, minhas urgências gritavam cada vez mais nítidas o teu nome, incessantemente, como se cada parte do que tenho de mais intenso pudesse me fazer inteira apenas ao reconhecer essa metáfora suave e leve, em meio às tantas tempestades desse imenso vazio lotado de palavras que eu não precisei dizer para que você entendesse.

(...)


Só você decifra e preenche os vazios que há em mim"


sábado, 19 de setembro de 2009


"Queria acordar nos seus braços.

E passar o dia todo perdida no seu peito."



Aline Gianasi

http://meiolalala.blogspot.com/

sábado, 12 de setembro de 2009


"Chuviscou só.
Mas não apagou o fogo aqui dentro.
Onde as histórias são tantas e as lembranças muitas.
Onde há poeira nas coisas antigas.
[Menos nas emoções que, essas, são sempre limpinhas].

Do mais, tou bem.
Ando costurando os trapos.
Sou especialista na arte dos remendos."


Cris

sexta-feira, 11 de setembro de 2009


"parado ali no chão,
eu sentia que dentro de mim alguma coisa
estava nascendo.

ou pressagiava o que viria também de fora
e seria completo,
pois são completas as coisas
quando acontecem depois de anunciadas por dentro,
criando um estado capaz de receber o que virá de fora."

Caio Fernando

domingo, 30 de agosto de 2009


"[...] E eu tenho vontade de segurar seu rosto e ordenar que você seja esperto e jamais me perca e seja feliz.
E entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz.
A gente dá muitas risadas juntos.
A gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho.
A gente acha que o mundo está maluco e sonha com a praia do Espelho e com sonos jamais despertados antes do meio-dia.
A gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia.

A gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida..."


Tati Bernardi

sábado, 29 de agosto de 2009


"Eu comecei minha faxina.

Tudo que não serve mais
(sentimentos, momentos, pessoas)
eu coloquei dentro de uma caixa.

E joguei fora.
(sem apego. Sem melancolia. Sem saudade).

A ordem é desocupar lugares."


Fernanda Mello
http://fernandacmello.blogspot.com/

sábado, 8 de agosto de 2009


"Quis te falar de tudo isso que cresceu dentro da gente, deixando saudade dentro do peito e uma vontade louca de fazer parar o tempo no momento exato do teu gosto na minha boca, da tua febre na minha pele. Naquele instante em que você transpirava meus poros e meu corpo respirava teus pêlos. Tudo era afago e desejo, urgência e ardência, loucura que trazia paz. Mas por um motivo que não entendo, e que agora já nem tento, você não quis ouvir... E tudo foi perdendo o sentido. Gestos, promessas, afetos, carinhos e atenções... Tudo foi ficando para trás. E tanta coisa foi acontecendo em nossas vidas sem que de fato você se deixasse acontecer de verdade em mim. Sei que há muito mais a ser contado e encarado, mas o medo como sempre é maior, e tudo foi se acumulando... É...”tanta coisa foi acumulando em nossas vidas e eu fui sentido falta de um vão pra me esconder, aos poucos fui ficando mesmo sem saída, perder o vazio é empobrecer. Não vou querer ser a dona da verdade, também tenho saudade, mas já são quatro e tal...” É isso, ainda tenho saudade sim, mas parece tão tarde agora... e já nem sei mais se o que falo ainda faz algum sentido (pra você, antes ainda pra mim). A verdade (se é que existe alguma) é que to empobrecendo desse sentimento, ando me perdendo do que nunca fui... Nunca fui tão inteira nas sobras, tão completa nas frestas. Nunca havia me dado assim. Nunca fui perfeita, mas com você me entreguei sem pudores, fui você na parte mais bonita de mim... Fui puta, fui santa, sacana, inocente, indecente e pura. Fui tudo e além do que podíamos ser (do que você nos permitiu ser). Fui sincera do início ao fim (um fim que nunca houve de um início que nunca existiu...)"

(Cris...)